25 de mar de 2014

Aquela coisa.

Quando se acorda e dorme com dor, a vida tende a perder um pouco o brilho, e pensar primeiramente em você tende a ser o seu primeiro impulso. Aí é que você ferra tudo: é grossa com aqueles que mais te amam, tem a vontade de trucidar qualquer um que ameace o seu sossego (seja físico ou emocional), perde um pouco da perspectiva linda, passageira e tranquila que tinha da vida, chora a qualquer momento, seja na rua, em casa, escutando uma música que te faça lembrar da grosseria que cometeu com a sua mãe justamente por estar irritada, cansada. Enfim, a verdade é que seu corpo se torna uma grande mala pesada que não será carregada somente quando você vai viajar e sim, todos os dias, seja ao levantar da cama ou para ir para o trabalho. A verdade é que eu não sei como explicar o que acontece aqui dentro mas eu sei que acontece e não para nunca.

Queria poder falar sobre isso com mais pessoas (sem ser minha mãe que já me escuta demais). Mas a verdade é que todos acham que você tem apenas uma dor na coluna..."vai deitar um pouco que passa". Mas não passa. Os dias se repetem. E tem todo aquele mal estar, aquela sensação de ter levado uma surra, a sensação de febre e dor por todo o corpo que te faz ir ao banheiro  no meio do expediente para tentar resmungar um pouco.

E tem a idade, 26 anos e um corpo que parece já ter dado a volta ao mundo.

E tem todas as outras coisas: tem o trabalho,  tem todas as pessoas que nem imaginam a força que você faz para estar bem e parecer bem, e tem o medo de parecer a vítima, tem a faculdade, tem o noivo, tem o casamento chegando e sua cabeça tá tentando guardar seu corpo em qualquer lugar que não seja seus próprios pensamentos.

E tem você.

Ainda bem que tenho esse desabado. Afinal amanhã será um novo dia e eu não tenho roupa para ser triste.