9 de out de 2011

A arte de conhecer pessoas.

Um tio de minha mãe teve câncer e precisou operar e retirar boa parte da garganta. Não sei muito bem como isso funciona, mas a princípio ele só se alimentaria através de sonda e não falaria mais. Algo muito triste para uma pessoa de 50 e poucos anos. Fiquei triste quando minha mãe me contou, mas não tive tanto envolvimento com a notícia pois nem me lembrava direito dele...sabe parentes que moram longe e que só vemos em casamentos? Então, era assim com ele.
Hoje, fomos fazer uma visita a ele que já está em casa. Fiquei apaixonada pela pessoa que ele é. Ele ainda não está falando, então usa um caderninho para se comunicar com todos. Mas, não foi através dele que  demonstrava sua receptividade, sua gratidão por estar vivo e seu carinho com todos. Pelo que soube da história ele foi daquelas pessoas que nunca fizeram mal para ninguém, a não ser para ele...pois bebia e fumava demais. Mas, gente... apaixonei-me pelo seu jeito de tratar a gente, pelo seu olhar que substitui a fala. Uma pessoa que não julga ninguém, nem a si mesmo, que agradece a vida de uma maneira que só quem chegou bem perto de perdê-la sabe fazer e que faz questão de deixar em cada pessoa que passa por perto, uma pontinha de alegria e a certeza de que o seu coração é a sua melhor parte. 
Enfim, com ele não tem aquela saia-justa comum em família, não tem aquelas perguntas indiscretas. Só teve bolo de doce de leite e sorrisos.                                      

2 comentários:

Oscar disse...

Algumas pessoas nos marcam assim mesmo..trazem,por meio da dor ou do "susto",uma experiência q os leva a compreender o q é a vida,e ganham o poder de nos mostrar isso.
Melhoras à ele..^^

C. disse...

obrigada Oscar, pessoas assim estão em falta no mercado.

Bjas