29 de abr de 2010

Sobre a faculdade I

Sabe, este é meu último ano na faculdade. E pensando assim em tudo o que eu vivi nesses quase 4 anos (caracas) uma coisa de que vou sentir muita falta, muita saudade é das aulas de Teoria das Organizações. Eu simplesmente não dou pra coisa, odiei esta matéria, tirei 1,0 (hum) na primeira prova (um minuto de silencio)...mas eu adoro e me emociono em quase todas aulas da Professora Geovana. Sinceramente, eu tenho que segurar o choro. Por que ela parece conhecer cada momento que estou passando. Parece saber cada dúvida que está na minha cabeça louca. Eu simplesmente amo quando ela para de falar de teorias da subjetividade e dos Taylors da vida e passa a falar com a gente da vida. De igual para vida. Me sinto como se estivesse em uma terapia. E parece que a sala toda pensa o mesmo, só que ninguém comenta os seus comentários. Só escutam atentamente. E ela continua a falar da vida. Ela toca na ferida de cada um alí, por isso todos ficam em silencio. 
Hoje a aula era sobre Ecologia Organizacional, mas não sei como ela chegou na pressa do ser humano em querer tudo para ontem, a praga do mundo moderno: a felicidade instantanea. Ela contou um caso de uma aluna que contraiu várias doenças venereas de um namoradinho que conheceu na praia. A menina linda, uma boneca sumiu da faculdade após dizer que passaria por um exame de HIV. E ela dividiu com a gente a tristeza dela ao ver tudo começar e acabar tão rápido pelo simples fato da obrigação de se ceder a absolutamente todos os desejos. (E a Geovana não é uma pessoa careta se vc quer saber. Ela é toda modernosa, fala besteiras e palavrão na sala, além de ser tatuadora nas horas livres). Mas ela estava triste ao ver as pessoas se perdendo no meio dos outros. Ela chegou a se perder no meio dos outros, já se viu sendo machucando -se por medo de machucar os outros. Já fez milhares de coisas nas quais não viu a Geovana, e sim um fantoche pronto a satisfazer o outro. E aquelas palavras me tocaram. Me doeram. Talvez por que eu como qualquer mulher de 22 anos passa por essa fase em que está alí com medo de fazer coisas  pelo outro e acabar passando por cima de coisas que realmente lhe eram importantes. Ela disse que compreendeu muito disso ao ter uma doença grave em determinada fase de sua vida e ver que por mais que as pessoas "tentassem" lhe apoiar, só ela poderia passar e atravessar aquela situação. Ela viu que poderia viver sem dezenas de pessoas, nas não poderia (de jeito nenhum) viver sem a Geovana. Ela desejava a Geovana, ela precisava demais da Geovana. Aí as coisas começaram a ficar mais fácil na sua vida. Ela se encontrou. Pessoas vão e vem e ela fica. Ela sempre fica. Ela põe a cabeça no travesseiro seja uma noite com fulano, na outra com beltrano, mas depois que eles dormem ou vão embora, é ela com ela. E só. Ela precisava muito dela.
Geovana  dispensou uma pessoa que estava com ela há 16 anos, razões pessoais, mas ficou claro que ela não conseguia ser e ter ela mesma na presença dessa pessoa. E hoje ela está em primeiro plano na sua vida. Giovana se encontrou. Giovana se achou. E me deu uma vontade enorme de me achar também.Colocar algumas coisas no lugar na minha vida. E poder dizer essa sou eu.Pense o que quiser. Ela disse que depois dessa "descoberta" dela mesma, ela passou a sentir -se muito mais confortavél com ela mesma, com suas atitudes. Veio a paz. A paz no meio de qualquer bagunça. Aquela paz.Ela se reconheceu no espelho e em todas as suas atitudes. Ela tornou-se dona da própria história.
Eu te entendi Geovana!

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