25 de mar de 2010

Queria que não fosse para vc!


Parando pra pensar eu não consigo me lembrar quando foi que eu e minha mãe ficamos assim tão distantes. Dói escrever isso. Por que quando eu escrevo, eu admito. Eu admito que senti inveja da mãe e filha vindo juntas aqui no shopping e as duas leves e aparentemente em uma relação de mãe / amiga. Eu admito que sinto vontade de conversar sobre tanta coisa com ela, mas é só eu fazer uma tentativa e ver ela me cobrando mais do que me escutando que eu volto a estaca zero. Eu admito que isso anda doendo muito em mim, por que não estou vivendo uma fase simples e precisava tanto dela, queria tanto contar com ela. Eu admito que queria que ela fosse minha melhor amiga.

Admito que queria que ela me entendesse igual a época em que eu era boba e tinha tantos medos (?)... era só lhe contar meus medos que tudo parecia desaparecer no ar. Admito também que queria ver ela leve e despreocupada comigo e com minha irmã, por que ela já deveria saber que ela não precisa estar ao nosso lado 100% do dia para garantir que não façamos bobagens. (Mas, por favor, deixe a gente fazer algumas bobagens também).

Acho que toda filha tem um espaço reservado na mente nomeado "mãe"...e é aí que mora quase todos os perigos ou quase todas as soluções para a vida da filha. O meu espaço está completo mãe. Guardo cada palavra que me disse até hoje... Só preciso de espaço para saber se uso contra ou ao meu favor (Parece coisa de louco, mas isso faz todo o sentido). Mãe, sinto sua falta . E sei que a culpa por essa distância não é só sua ou só minha. É nossa. É minha. É minha por que escolhi o caminho mais fácil: o de não falar o que eu sinto. O de sempre achar que você está me sufocando. E o de passar a ter medo do que você vai achar, no sentido de dependendo do que eu fale, eu seja tachada por você. Também vivo usando o cansaço como desculpa, evitar.
Cheguei em um ponto em que penso em contar uma coisa, mas você irá querer sabe tudo, sempre... logo de mim, que de tempos em tempos não aguento nem as minhas próprias perguntas, eu que de tempos em tempos gosto de me sentir sozinha. Gosto de ser cuidada, mas nem sempre. Gosto mais é de fazer parte, ser lembrada...Isso eu gosto.E também é sua por achar que para estarmos seguras você tem que saber todos os nossos passos e pensamentos e por ultimamente só deixar que sua vida gire em torno do nosso mundo, que vez ou outra insiste em querer se esconder. É responsabilidade demais estar 100% do tempo nos pensamentos e no foco de visão de alguém. É pesado demais.
E eu simplesmente não aguentei.Minha vontade é ver você fazendo alguma coisa que goste de verdade.Por você. Só por você.Mas aqui, hoje, eu não quero saber de culpa ou inocência. Hoje eu só quero dizer que não quero mais me sentir assim.

Hoje eu vou dizer que preciso de você. E muito. Hoje eu só quero dizer que não quero sentir o tempo passar e ir levando a mãe e a filha que somos. Hoje eu só tenho vontade de dizer que sinto sua falta e que ela só aumenta a cada dia, por mais pequenino que seja o nosso apartamento. Hoje eu só quero dizer que te amo.

UPDATE: Acabei de voltar do seu quarto e de receber um abraço apertado como há tempos não dava e não recebia e com aquele choro contido... e a gente se entendeu ... dizemos uma ou duas frases uma para a outra, mas foi o suficiente para que a gente entendesse o que uma queria dizer para a outra... Ela é a minha mãe. Minha pessoa preferida e eu não vou desistir dela nunca, nunca vou desistir de ter a mãe que eu amo.

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